Gandhi

"Whatever you do in life will be insignificant
but it is very important that you do it."
Gandhi

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

a tempestade

Excerto.

São dez e dezoito da manhã, e estamos em pleno Inverno. A chuva fustiga as altas janelas com o rancor característico dos dias cinzentos. Pequenas gotas de água fria caem do céu escuro, e escorrem pela obliquidade do negro telhado, descendo até as suas arestas e pingando em direcção ao chão em sucessões de tempo muito pouco reguladas. Aproveitando todas as pequenas frechas, o ar gélido procura invadir o interior, onde o jovem lume crepita na lareira, de um tom alaranjado, espalhando o seu calor por toda a casa, amainando o ambiente, anteriormente duro e frio. Estava ela sentada no sofá gasto, que já vivera milhares de anos, parecera-lhe. O dia estava cada vez mais imprevisível, o vento mais violento e a chuva mais forte, e preparava-se para piorar: a ventania, carregando consigo todas as folhas mortas deixadas ao acaso, embalava os altos pinheiros que rodeavam a casa. Essa era branca, grande, solitária. Lá fora, o vento aumenta a sua ferocidade, e uma trovoada se aproxima. O mar agita-se; os pássaros gritam acima de nós, fugindo; as nuvens precipitam-se a encobrir todo o vasto céu; as árvores tombam ameaçadoramente, ora para um lado, ora para o outro, sem descanso. Com o decorrer do dia, a tempestade aumenta a passos largos. Lá para o meio da tarde, rompe o primeiro trovão. Um feixe tenebroso de luz esbranquiçada rasga o céu sem qualquer remorso, e, instantes depois, ouve-se o trovão rebentar, som capaz de estremecer toda a terra circundante. Um arrepio percorre-lhe todo o corpo, tomando-a, por momentos. (...)


Este é o princípio de um trabalho em que me tenho concentrado. Não sei no que vai dar, poderá haver modificações, etc. Mas ainda vão ouvir falar de mim. :D

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