
Por mais que a tristeza me invada, nunca é o suficiente. Não para ela. Precisa de ter sempre um pouco mais de carne para conquistar, um pouco mais de dor para me incumbir, procurando ensinar-me uma lição. É esse o seu grande propósito. Não pretende destruir-me por si só, não quer apenas fazer-me mal pelo simples facto de ser esse o seu meio, mas sim por ter de aprender. Aprender a voltar a estar sozinha, rodeada de memórias e ilusões, e saudades, profundas saudades de todo um passado, toda uma alegria sentida. Nada me impede de chorar, chorar pelas perdas, chorar pelas memórias, chorar até já não haver mais nada para chorar. Não tem havido motivos para não chorar, ultimamente. Sinto-me sozinha, e o pior, é que nem me sei acompanhar. Já não há modo acalmar esta dor, esta falta! Sinto tanta falta... Não sou capaz de deixar esquecer, não sou capaz de perder o que tive, mas que também já não o vou reaver nunca, e tudo isso obriga-me a viver cada dia sob uma nuvem carregada de mágoa, e ausência. Estou cansada de tanta dor, tantas miragens intemporais que me enchem a mente de esperanças cruéis. Muito cruéis. Porque não passam disso mesmo. Imagens e desejos cuja veracidade é nula. Engano-me a mim mesma, esperando enganar a própria realidade. Sinto que me perdi no fundo de um poço muito fundo; tão fundo, que nem o sol me alcança; tão fundo, que já nem ouço o eco do meu choro. As forças escaparam-me por entre os dedos, tal como tudo o resto, e eu já não aguento esta existência. Porque já não sei voltar á solidão em que vivi, perdi-lhe o rasto e agora só me resta arcar com as consequências desta batalha que perdi. Muitas mais estão para vir...
- têm sido dias difíceis...
Ana Vinhas. 29, Março de 2010
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