segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

(Re)conto:
Recontei as memórias guardadas no frasco de compota de pêssego, e voltei a recontar, vezes e vezes sem conta. Perdi noites, perdi dias, sem qualquer sentido de vida, dos quais apenas tirei um proveito: recordar.
As poucas recordações de infância que me marcam a memória e me assombram o pensamento, tanto pela felicidade com pela tristeza, recordações alegres, com cheirinhos de maresia e de coloridas flores, recordações tentadas, recordações perdidas, roubadas. Marcas de lágrimas espalhadas pela casa, pelo ar, mal me deixam viver. Gritos, vozes, choros e cânticos fundem-se na minha cabeça e roubo-me a pez de espírito, paz de que necessito.
Fecho os olhos e sorrio. Sorrio, como já não sorrio á anos. Sorrio, feliz.
volto a perder-me nos meus próprios jardins proibidos. Ana Vinhas.

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