Sente-se o sol por um bocado. Nada mais nada menos do que um pequeno rasgo de calor proveniente desse mesmo corpo se desfaz ao embater contra a superfície fria e espelhada do lago. A sombria floresta mantém-se negra e gélida, como sempre havera acontecido. Todas as almas que por ali se depositam se arrastam pela aquela nudez de vida, de sentido. As altas árvores tapam todo o céu azul, proporcionando nada mais além de uma sombra que envolvera todo o lago, toda a terra, toda a presença. No fundo do lago, todos os reflexos se perdem. Todos os rostos, todas as aves, todas as nuvens; perdem-se no vazio, perdem-se para todo o sempre! É naquele frio lago que permanecem todas as formas, todas as liberdades, todas as palavras verdadeiras que devem ser ditas. Há que tempos que me perdi nessa floresta, procurando arduamente por esse lago gelado, por esse céu escondido, por essa palavras. A ti, meu amor.
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Perdi-me para as encontrar, por ti.
Imaginado por
elipse
Sente-se o sol por um bocado. Nada mais nada menos do que um pequeno rasgo de calor proveniente desse mesmo corpo se desfaz ao embater contra a superfície fria e espelhada do lago. A sombria floresta mantém-se negra e gélida, como sempre havera acontecido. Todas as almas que por ali se depositam se arrastam pela aquela nudez de vida, de sentido. As altas árvores tapam todo o céu azul, proporcionando nada mais além de uma sombra que envolvera todo o lago, toda a terra, toda a presença. No fundo do lago, todos os reflexos se perdem. Todos os rostos, todas as aves, todas as nuvens; perdem-se no vazio, perdem-se para todo o sempre! É naquele frio lago que permanecem todas as formas, todas as liberdades, todas as palavras verdadeiras que devem ser ditas. Há que tempos que me perdi nessa floresta, procurando arduamente por esse lago gelado, por esse céu escondido, por essa palavras. A ti, meu amor.
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
quinta-feira, 9 de Abril de 2009
Tecla a tecla.
Imaginado por
elipse

A janela está aberta, no campo verdinho e ensolarado. O vento sopra de mansinho, embalando as folhas da macieira, cuja sombra empalidece o dia. Por todo o lado se ouve o piano de cauda que á muito que se encontrara silenciara pela neve de inverno que haveria encurralado as notas suaves. Tecla a tecla, solta-se um pouco mais de pó da pesada chegada do sol, e mesmo sem se reparar, a brisa penetra pela velha cabana e move as brancas cortinas de renda desta antiga junção de pedra e hera, que trepara as paredes e invadira o cubículo sem pedir licença, sem avisar, e que dera a vida a essa habitação. Uma borboleta flutua no ar, dá duas piruetas sobre o piano e sai pela janela, sobrevoa a erva rasteira, poisando por breves instantes na papoila violeta junto á macieira e partindo de novo desta vez em direcção ao céu azul, perdendo-se de vista.
(ana vinhas, 8-4-2009)
- aonde vai o tempo!
Imaginado por
elipse
Dava quase!, quase tudo por um pedaço dessa tua eternidade que tanto te invejo! Andas pelo mundo com aparência de quem tudo tem e nada teme, e o tempo vai passando, mas não para ti que continuas preso no mesmo momento de á momentos atrás, o mesmo instante que não muda, não se transforma, permanece imóvel e estático, e tu não dás por isso, não dás mostras de ponta de aborrecimento!, apenas sorris, daí do teu alto canto, um sorriso tímido e alegre, com um pouco de cor, dum vermelho esboçado que à muito já se apagara no tempo.
(ana vinhas, 8-4-2009)
quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
a utilidade das aulas de português é esta...
Imaginado por
elipse

Uma pequena gota de chuva cai. E outras e mais outras, de seguida.
E o acto vai repetindo-se ao longo do tempo que passa. Sente-se uma brisa gelada que nos arrepia o corpo e, consequentemente, arrepia-nos a alma. O tom acinzentado do céu que se apresenta diante de mim torna-me turva até os pensamentos mais claros. Olho mas não vejo, tentando encontrar em mim um réstia de clareza. Pequenas poças de água se formaram no pátio. Do céu de outrora, destacam-se agora diferentes nuvens que se vão deslocando, enquanto o dia vai passando. Pequenas porções de luz vão tocando-me na pele fria e branca, e pouco ou nenhum efeito físico têm em mim. Apenas meus olhos se fascinam com tal imagem que me aquece o coração. O dia vai aclarando à medida que me distraio do mundo em que me encontro. Mas rapidamente escureçe, como se um pouco de esperança pelo sol fosse como que uma contradição á vida, e por castigo, me entregam a algo menos vivo do que um deprimido céu enublado. Mas dos meus olhos se avista tudo o resto; vejo o mundo através da janela; vejo a vida para lá do vidro.
(Ana Vinhas)
quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
pensamentos,
Imaginado por
elipse

Percorro as memórias na minha mente com aquela simples nostalgia de já terem passado. Agarro-me ao presente, deixo o futuro para lá da fronteira do mutável. Pergunto-me se alguma vez foi tão feliz como no tempo presente e no próximo passado que já pertencera ao agora. "Não". Esboço um frágil sorriso de felicidade, e volto as memórias com uma quente lágrima a escorrer-me pela face. Revejo o meu passado que, por gesto de humildade, fora colocado num quarto vazio, sobre um alto pedestal de cristal, límpido e frio. Porém, todos os pedaços de "ontem" remetem-me ao amanhã e eu não consigo ficar indiferente. Porque esta felicidade que nunca antes sentira fora produto de algo maior, e porque nada do que eu sonho me pode fazer sentir o que sinto na realidade. Mas o receio de ficar sem algo que não terá já antes sido reclamado, cresce, e a minha vontade de lutar é completamente sufocante. E apenas o meu coração me move, porque os olhos á muito que nada vêm. Na mente uma espessa névoa turva-me as lembranças e memórias, de todas os pensamentos, apenas te revelo um: é impossível cair em esquecimento.
Ana Vinhas (21-28/01/2009)
domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Senti a saudade!
Imaginado por
elipse

« Sinto a saudade, que cresce dentro de mim, e que me faz soltar uma pequena lágrima de falta. Relembro a imensidão de felicidade que outrora não faltou, em cada dia, cada momento. Relembro o que vivi, «vivemos», com aquela nossa fingida vivacidade e intensidade que já fugiu, partiu. Penso agora no que ficou por dizer, no que não devia ter sido pronunciado, mesmo que a ti, assim fosse. E agora, apenas me lembro da fonte de solidão que me destrói, levemente, mas com sentido. »
Ana Vinhas (25 Setembro 2008)
Tudo isto é passado, agora sou feliz. OBRIGADA!
domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Imaginado por
elipse
Sinto o vento, aqui bem perto. Passa por mim, levemente, elevando-me os poucos pensamentos que outrora me consumiram, deixando em mim apenas uma réstia de ser. Já fui alma, já fu vento. Foram vidas, foram tempos, que agora recordo com uma certa amargura no olhar. Perdi a inocência com que convivi todo o tempo, e como toda a alma, todo o ser, reprimi-me ás minhas própias opressões, razões sem lógica, com que cá fiquei.
Ana Vinhas (29 Setembro 2008)
segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Imaginado por
elipse
(Re)conto:
Recontei as memórias guardadas no frasco de compota de pêssego, e voltei a recontar, vezes e vezes sem conta. Perdi noites, perdi dias, sem qualquer sentido de vida, dos quais apenas tirei um proveito: recordar.
As poucas recordações de infância que me marcam a memória e me assombram o pensamento, tanto pela felicidade com pela tristeza, recordações alegres, com cheirinhos de maresia e de coloridas flores, recordações tentadas, recordações perdidas, roubadas. Marcas de lágrimas espalhadas pela casa, pelo ar, mal me deixam viver. Gritos, vozes, choros e cânticos fundem-se na minha cabeça e roubo-me a pez de espírito, paz de que necessito.
Fecho os olhos e sorrio. Sorrio, como já não sorrio á anos. Sorrio, feliz.
volto a perder-me nos meus próprios jardins proibidos. Ana Vinhas.
Recontei as memórias guardadas no frasco de compota de pêssego, e voltei a recontar, vezes e vezes sem conta. Perdi noites, perdi dias, sem qualquer sentido de vida, dos quais apenas tirei um proveito: recordar.
As poucas recordações de infância que me marcam a memória e me assombram o pensamento, tanto pela felicidade com pela tristeza, recordações alegres, com cheirinhos de maresia e de coloridas flores, recordações tentadas, recordações perdidas, roubadas. Marcas de lágrimas espalhadas pela casa, pelo ar, mal me deixam viver. Gritos, vozes, choros e cânticos fundem-se na minha cabeça e roubo-me a pez de espírito, paz de que necessito.
Fecho os olhos e sorrio. Sorrio, como já não sorrio á anos. Sorrio, feliz.
volto a perder-me nos meus próprios jardins proibidos. Ana Vinhas.
sábado, 27 de Dezembro de 2008
E a tarde vai passando.
Imaginado por
elipse

A suave luz traspaça o vidro e poisa na mesa de madeira gasta pelo tempo. Contorno a cadeira de espaldas e vou para junto da janela. Dali observo o jardim, cujas rosas brancas atribuem uma certa paz ao local, e onde o vento da primavera dança, uma dança alegre, fresca. Do outro lado da sebe está um campo cujo terreno é ocupado por um vasto pomar de maçãs vermelhas. Numa das árvores, um pequeno baloiço baloiça ao sabor da brisa, enquanto que o quente sol confere lucidez aos meus pensamentos. Sou assaltada por um sentimento nostálgico de onde me sai uma respiração túnue de vida. Lembro-me do azul dos olhos e pergunto-me porquê. Relembro com a mente o pouco de recordações que me restam no armário, junto do saquinho de cetim aveludado que contêm conchinhas da praia. Revivo os momentos com todos os sentimentos e emoções que guardei na caixinha de música, juntamente com o beijo. Desce-me pelo rosto uma quente lágrima que me marca a pele e me chega aos lábios frios. Volto costas a janela, ao pomar e ao baloiço, e dirigo-me ao piano. Sento-me no pequeno banquinho almofadado cor de alfazema, cujo tecido mantêm o mesmo aspecto de sempre, e passo a mão de levezinho pelas frias teclas de marfim. Toco uma. Um som agudo faz-se ouvir por toda a sala, e prolonga-se por uns meros instantes, durante os quais do meu corpo se apoderou um longo calafrio, que me percorera a espinha até ao pescoço e aí se fez sentir um pouco mais. Volto-me á janela, mas já é noite. Já o céu adquiriu um tom azul escuro e pequenas luzes alaranjadas destacam-se ao longe. Já é noite e eu não dei conta. Já é noite e não há nem uma lágrima de saudade. Já é noite e a realidade apodera-se de mim: está escuro.
quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
Imaginado por
elipse

Solta a respiração que te vai no peito, que anseia por se libertar de algo que não passa de um sonho. Sonho cuja recordação e memória divaga na mente todo o dia, a todo o momento, que faz crescer em ti uma esperança de menino, que por muito que tentes não desaparece, não deixas de o desejar com tudo o que és, tudo o que te tornaste. Terás tu idealizado o sonho conforme a realidade? (mantêm a esperança.)
(anaVinhas)
Imaginado por
elipse

Fico-me sentada ao sabor do silêncio. Silêncio quebrado de segundo a segundo pelo tique-taque do relógio que repousa na cozinha. (Tique-taque, tique-taque, tique-taque.) Um tique-taque que lateja na minha cabeça, cada vez mais alto, cada vez mais forte. Tapo os ouvidos com as mãos e faço pressão para me abstrair. Abstrair-me do mundo, e consequentemente, abstrair-me do que me rodeia. Fecho os olhos, e destapo os ouvidos. Está tudo mais calmo. Mais baixo. Olho para lá da janela e observo a luz difusa dos candeeiros da rua. A mesma luz alaranjada que me ilumina de leve a divisão em que me encontro. Lá fora, o céu exibe o seu azul oceano recém-adquirido, juntamente com umas quantas estrelas reluzentes. Pensando melhor, não são assim tão reluzentes quanto isso, são pequenas e quase invisíveis pontinhos amarelos no escuro céu. Nada mais. O visor do telemóvel ilumina-se ("uma nova mensagem: Fláviia"). Olho às horas - 5:33H, Fico-me sentada ao sabor do silêncio.
(Ana Vinhas)
(Ana Vinhas)
* dedicado á Flávia que me fez companhia na minha "espera que o Sol nasca" :)
domingo, 30 de Novembro de 2008
Pensamentos de Outono.
Imaginado por
elipse
Escuto as palavras sentidas do vento, que por muito tempo aqui dispuseram a sua existência, e por mais cem mil anos estarão. Por muito que tudo mude, tudo fica, tudo se lembra com aquela espécie de sentimento que nos envolve como sendo um pouco de vida que apenas cá ficou. Teríamos todo um futuro á nossa frente, diferenciando a pouca pausa na vida a que somos sujeitos sem saber, personagens num simples auto de memórias que por um sentido de riso é consumido pela nossa tenebrosa sombra de existências. Viverias mais cem mil anos, se não fosse a necessidade de te dispersares pelo mundo, para que estejas integrado no sentido de realidade da vida. Teríamos mais oportunidades para que fossemos literalmente parte de algo maior que nós, mas no qual só nós temos a nossa própria influencia e requisição. Seriamos nós o vento de Outono.
quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Seresonhador:
Imaginado por
elipse
Haverá o brilho inguenuo nos olhos do pequeno menino, que todas as alvoradas volta os olhos ao céu, procurando pelo sonho futuro, quando a chuva quente tocar o rosto da menina que chora, no parque, sonhando com o amor eterno.
(sem titulo):
Imaginado por
elipse
Rostos indistintos da memoria, simples pessoas que não conheço, que passam por mim. Cheiros invulgares, misturas de culturas, sons de gerações. Materias coloridas são visíveis, no meio de multidões de ar. Penso reconheçer vozes, canticos que fluem de uma esquinha, duma porta aberta. Dou de caras com bocados de História, pedaços de passado, em cada passagem. Recuo no tempo, sem notar, e de lá retiro tesouros. Vislumbro o céu, aos poucos, tarefa dificultada pelas lindas casas mais velhas que o tempo. Sento-me num bonito banco verde esmerada, ladeado de vasos de coloridas flores, cujo nome desconheço por completo. Existem sonhos perdidos e vidas passadas, neste local. Nesta pequena rua, deteriorada pelo tempo.
terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Imaginação:
Imaginado por
elipse
Fecho os olhos, e imagino. Penso que este gélido ar que paira no mundo, que sopra para dentro de mim, é na realidade, uma quente respiração, que me toca, de mansinho. Penso que o mundo poderá voltar a ser bonito, como sempre foi, nos meus olhos de criança. Mas eu cresci. O mundo tornou-se cruel, na minha mente. E apenas a imaginação me salva da loucura.
segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Perdição.
Imaginado por
elipse
Procuras um sinal de vida, uma memória de passado, um pedaço de algo que já te pertencera, outrora. Pensas em como tudo fora possivelmente feliz, todos os bocados de infinfavel alegria, todas as lágrimas escondidas no encalço da verdade. Sofreste por algo, sofreste por tudo. Sofreste por alguém. Dedicaste-te verdadeiramente a uma vida, que te era a sobrevivencia. Lutaste com alma. Perdeste dignamente. Amas-te, mas esqueçeste. Então perguntas: para quê?
sentimento.
Imaginado por
elipse
A tempestade abrandou, e apenas a suave neblina se nota, no interior da mente, onde tudo é disfuso, completamente confuso, onde tudo era algo que já não é ou deixou de ser, rapidamente. O pensamento surge como que uma ofegante respiração, é tudo tão nítido, mas como num esboço.. O coração bate, lentamente, e claramente ofusca a verdade, e com uma renovada esperança, pergunta: ainda vivo?
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