
Percorro as memórias na minha mente com aquela simples nostalgia de já terem passado. Agarro-me ao presente, deixo o futuro para lá da fronteira do mutável. Pergunto-me se alguma vez foi tão feliz como no tempo presente e no próximo passado que já pertencera ao agora. "Não". Esboço um frágil sorriso de felicidade, e volto as memórias com uma quente lágrima a escorrer-me pela face. Revejo o meu passado que, por gesto de humildade, fora colocado num quarto vazio, sobre um alto pedestal de cristal, límpido e frio. Porém, todos os pedaços de "ontem" remetem-me ao amanhã e eu não consigo ficar indiferente. Porque esta felicidade que nunca antes sentira fora produto de algo maior, e porque nada do que eu sonho me pode fazer sentir o que sinto na realidade. Mas o receio de ficar sem algo que não terá já antes sido reclamado, cresce, e a minha vontade de lutar é completamente sufocante. E apenas o meu coração me move, porque os olhos á muito que nada vêm. Na mente uma espessa névoa turva-me as lembranças e memórias, de todas os pensamentos, apenas te revelo um: é impossível cair em esquecimento.
Ana Vinhas (21-28/01/2009)