
Uma pequena gota de chuva cai. E outras e mais outras, de seguida.
E o acto vai repetindo-se ao longo do tempo que passa. Sente-se uma brisa gelada que nos arrepia o corpo e, consequentemente, arrepia-nos a alma. O tom acinzentado do céu que se apresenta diante de mim torna-me turva até os pensamentos mais claros. Olho mas não vejo, tentando encontrar em mim um réstia de clareza. Pequenas poças de água se formaram no pátio. Do céu de outrora, destacam-se agora diferentes nuvens que se vão deslocando, enquanto o dia vai passando. Pequenas porções de luz vão tocando-me na pele fria e branca, e pouco ou nenhum efeito físico têm em mim. Apenas meus olhos se fascinam com tal imagem que me aquece o coração. O dia vai aclarando à medida que me distraio do mundo em que me encontro. Mas rapidamente escureçe, como se um pouco de esperança pelo sol fosse como que uma contradição á vida, e por castigo, me entregam a algo menos vivo do que um deprimido céu enublado. Mas dos meus olhos se avista tudo o resto; vejo o mundo através da janela; vejo a vida para lá do vidro.
(Ana Vinhas)
1 opiniões:
o teu blog está lindo meu amor, tu escreves tão bem.
Gosto muito de ti Ana «3
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